Como uma mulher a gestar,
corpo é árvore,
nunca é o mesmo rio
a passar.
Livro de histórias,
anéis de nossos troncos,
guarda as marcas
que a indústria da beleza
tenta mascarar.
Fios de cabelo caem,
outros brancos surgem
em seu lugar.
Corpo é barco,
enfrenta intempéries,
abraça os milagres,
junto ao oceano
em seu eterno ondear.
Corpo é templo.
Sagrado de alma,
profano na forma.
Seu futuro
é a ruína.
Como uma construção
do passado,
não pede licença
na passagem,
não se desculpa
pelas velharias.
Corpo é estar, resistir,
sobreviver, atravessar.
É um grito
contra o concreto.
Corpo é rocha,
desmancha-se
no lento gotejar
de suas paredes
até que não haja rastro,
apenas história.
O medo não para
a ampulheta do corpo.
Leave a Comment