Ruína Romana

Como uma mulher a gestar,
corpo é árvore,
nunca é o mesmo rio
a passar.
Livro de histórias,
anéis de nossos troncos,
guarda as marcas
que a indústria da beleza
tenta mascarar.
Fios de cabelo caem,
outros brancos surgem
em seu lugar.
Corpo é barco,
enfrenta intempéries,
abraça os milagres,
junto ao oceano
em seu eterno ondear.
Corpo é templo.
Sagrado de alma,
profano na forma.
Seu futuro
é a ruína.
Como uma construção 
do passado,
não pede licença 
na passagem,
não se desculpa
pelas velharias.
Corpo é estar, resistir,
sobreviver, atravessar.
É um grito
contra o concreto.
Corpo é rocha,
desmancha-se
no lento gotejar 
de suas paredes
até que não haja rastro,
apenas história.
O medo não para
a ampulheta do corpo.

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Written by Gigi Eco
Gigi Eco ama aprender e faz muitas coisas ao mesmo tempo - é jornalista, fotógrafa, professora, rata de biblioteca e musicista por acidente. Ama viajar e é viciada em chás. É a escritora oficial dos cartões de Natal da família. É Doutora em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e atualmente trabalha no seu primeiro livro de poesias.